A pessoa que é normal, em termos de ser bem adaptada [à sociedade], é, geralmente, menos saudável do que a pessoa neurótica, em termos de valores humanos. Frequentemente, ela é bem adaptada apenas às custas de ter desistido do seu self de forma a se tornar mais ou menos a pessoa que ela é esperada ser. Toda a individualidade e espontaneidade poderá ter sido perdida. Por outro lado, a pessoa neurótica pode ser caracterizada como alguém que não estava pronto a se render completamente na batalha pelo seu self. Certamente, sua tentativa de salvar seu self individual não foi bem sucedida, e ao invés de expresar o seu self produtivamente, ela procurou salvação através de sintomas neuróticos e através da retração em um mundo de fantasias. De qualquer forma, do ponto de vista dos valores humanos, ela é menos deficiente do que o tipo de pessoa normal que perdeu toda a sua individualidade.
By Erich Fromm
In The Fear of Freedom
Saturday, 21 November 2009
Da próxima vez que te chamarem de neurótico diga ‘Sim, obrigado’
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Loucura Controlada,
Padrao Mental
Wednesday, 4 November 2009
O Ego como uma agência de fortalecimento

As percepções internas sobre o ‘eu’ deveriam contar mais do que as percepções externas, aquelas que provém de terceiros, mas como as pessoas em geral tem um ego muito fraco e pouco definido - ouso dizer que a maioria, daí o nome massa, ou como alguns dizem em desdem: ‘a massa ignara’ – a indentidade acaba sendo algo mais imposto do que sentido. Porque o ‘ego’, ou melhor dizendo, o ‘eu’ é em geral apenas esquemático, a grande maioria de nós está sujeita a cair presa de todo tipo de armadilhas mentais, manipulações de terceiros, condicionamentos subliminares, entre outras coisas. Na verdade, não sabemos o que é isto, o ‘eu’, vivemos uma ilusão do ‘eu’, parecemos indivíduos, vivemos em uma sociedade individualista, ego-cêntrica, mas o centro na verdade está neste ‘eu’ ilusório, este ‘eu’ que criaram para nós. Daí o porque as pessoa se deixam enredar pelos papéis. Os papéis sociais se sobrepoem ao que seria a essência pessoal. A individuação no mundo conteporâneo ainda é uma ilusão, ou melhor dizendo, uma grande delusão.
Mudando o foco e voltando para os tais processos interiores, as percepções internas deveriam contar mais do que as externas, e não importa qual a mais acurada –mesmo com o risco de se estar vivendo uma alucinação – porque ao fim, quando todos se afastam, são só os seus próprios pensamentos e sentimentos que ficam, e é só com eles que você é obrigado a conviver sem escolha.
Segundo vários filósofos e psicanalistas, psicólogos e afins, o ‘eu’ é definido pelo outro, pela presença do outro, o não-eu. Mas talvez o verdadeiro ‘eu’, aquele ‘eu’ que alguns chamam de self, ou ‘eu’ total, ou qualquer outro nome que escolas de psicologia e místicos queiram dar, apenas possa ser encontrado no isolamento. Quando o mundo lá fora silencia, você pode finalmente ouvir com clareza as vozes da sua multidão interior. Qualquer tentativa de unificação e integração deveria ser conduzida em um estado de isolamento, e quando o isolamento físico não é possível, imagino um estado de isolamento mental, um período de retiro do mundo, mesmo quando se está nele (o que entendo ser um equilíbrio extremamente delicado), possa colocar a pessoa em contato com si mesmo, algo além do ‘eu’ mundano.
Desta forma, quando as conexões externas são estabelecidas –mas saiba que elas nunca mais serão as mesmas, porque você nunca mais será o mesmo - você deve estar forte o suficiente para que nada ou ninguem possa ser capaz de te retira do seu centro, de te manipular, te fornecer uma realidade pre-manufaturada. É a isto que eu chamo fortalecimento do ‘ego’, fortalecimento do ‘ego’ não é um processo de ego-centrismo ou ego-ismo, mas de ser capaz de se sustentar mentalmente sem cair presa da ‘ordem natural do pasto’.
A questão maior é, você seria capaz de ficar forte o suficiente para não cair presa do próprio ego? Fortalecer o ego para depois vê-lo/se morrer no processo de transcendência é um desafio ainda maior.
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Padrao Mental
Sunday, 11 October 2009
Mais Carlitos
"Energia compartilhada cria parentesco. Energia eh como sangue."
The Art of Dreaming
Castaneda
The Art of Dreaming
Castaneda
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C. Castaneda,
Drops
Tuesday, 8 September 2009
Intento
“Intentar é desejar sem desejar, fazer sem fazer.”
In The Art of Dreaming
By Castaneda
Convenhamos que depois dessa fica fácil acreditar que Castaneda copiou coisas do Tao Te King...
Mas isto não é importante, só a mensagem importa.
E dom Juan? Existiu mesmo no mundo “real”?
Oh! seres sem fé e de pouca imaginação...
In The Art of Dreaming
By Castaneda
Convenhamos que depois dessa fica fácil acreditar que Castaneda copiou coisas do Tao Te King...
Mas isto não é importante, só a mensagem importa.
E dom Juan? Existiu mesmo no mundo “real”?
Oh! seres sem fé e de pouca imaginação...
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Drops
Saturday, 29 August 2009
A INSUSTENTAVEL LEVEZA

Esvaziando o copo, ou melhor, o corpo
“— Armas mágicas eram terrivelmente importantes antigamente —
continuou Clara. — Armas como os cristais tornaram-se uma extensão do próprio
corpo do feiticeiro. Elas eram cheias de energia capaz de ser canalizada e
projetada externamente, através de espaço e tempo. Contudo, a arma definitiva
não é um dardo de cristal, uma espada ou mesmo uma arma, mas o corpo
humano. Pois ele pode ser transformado em instrumento capaz de reunir,
armazenar e direcionar energia
— Podemos considerar o corpo como um organismo biológico ou como
fonte de poder — prosseguiu Clara. — Tudo depende do estado do inventário em
nosso depósito; o corpo pode ser duro e rígido ou suave e flexível. Se nosso
depósito está vazio, o próprio corpo está vazio, e a energia do infinito pode fluir
através dele.
Clara reiterou que para nos esvaziarmos temos de mergulhar em um
estado de recapitulação profunda e permitir que a energia flua através de nós
livremente. Apenas na quietude, ressaltou ela, podemos conceder ao vidente
pleno domínio, ou a energia impessoal do universo pode transformar-se na
própria força pessoal da intenção.
— Quando nos esvaziamos suficientemente de nosso inventário obsoleto e
obstaculizante — continuou ela —, recebemos a energia, que se acumula
naturalmente; quando uma quantidade suficiente se aglutina, ela se transforma
em poder. Qualquer coisa pode anunciar sua presença: um ruído alto, uma voz
suave, um pensamento que não é nosso, uma onda inesperada de vigor e bem estar.”
In A Travessia das Feiticeiras, Taisha Abelar

A Insustentável leveza
Quando se chega a um certo ponto da vida onde estamos devidamente culturados e condicionados, esvaziar é uma tarefa muito mais árdua do que continuar enchendo e acumulando, sejam comportamentos, conhecimentos inertes, ligações que se tornam elos e elos que, por fim, se tornam correntes.
Em princípio pode parecer que esvaziar e tornar-se mais leve e fluido é algo que todos exultariam em conseguir, mas não é bem assim. Me lembro de ter lido em um desses livros de cura energética uma história bem ilustrativa sobre isso. A terapeuta havia tido um grande trabalho com um paciente para que este pudesse se liberar de uma forma-pensamento que estava causando-lhe sérios distúrbios, quando por fim ele conseguiu o intento, não pode suportar a súbita sensação de leveza e liberdade que sobreveio com a limpeza de seu campo energético. O que esta pessoa fez então foi criar uma nova forma-pensamento e colocar no lugar da antiga, e lá foi ela arrastando sua bola de ferro e corrente mais uma vez.
A questão é que o homem desaprendeu a ser livre. O vazio, ao invés de ser o ‘vazio criativo’, se tornou um lugar de ansiedade e pânico, pois o homem não sabe lidar com o que é seu estado de liberdade. É mais confortável, ainda que destrutivo, continuar caminhando encurvado com um enorme saco nas costas do que enfrentar as dores inicias do momento em que ele consegue, finalmente, se livrar do peso extra e esticar a coluna. O ser humano prefere agarrar desesperadamente sua carga, simplesmente por medo de andar ereto sem segura em nada, sem uma muleta. Ele tem medo de flutuar e se perder no espaço, tem medo de enlouquecer, tem medo de se dissolver caso não se sinta sólido e pesado o suficiente. Enfim, tem medo.
Thursday, 20 August 2009
Furos no tecido

A verdade é que eu tenho mais perguntas do que respostas para oferecer. Na verdade eu só tenho perguntas, e quase sempre extremamente pessoais, mas como somos todos mais ou menos parecidos, acho que eu devo compartilhar das mesmas questões que determinadas pessoas. Uma, por exemplo, é : O que acontece nos vácuos da memória? Quando eu tento reconstituir certas cenas ou pensamentos eu sempre me deparo com partes obscuras das quais eu tenho apenas uma vaga sensação de acontecimento. Talvez seja apenas herança de familia. Por parte de pai eu descendo de pessoas muito distraídas. Faz parte dos meus trabalhos hercúleos mudar isso, ter uma memória mais confiável, mas não no sentido de solidificar lembranças no tempo, mas sim poder recorrer a certos conhecimentos já apreendidos, poder acessar certas lembranças sem passar horas com aquela sensação de estar fazendo um donwload de um arquivo gigantesco numa conexão discada.
Claro que a memória é algo dinâmico. Mesmo quando lembramos algo vividamente, pode ter certeza de que não é algo concreto, como uma foto, congelada no tempo desde do momento do acontecimento, onde sua percepção atua para captar aquilo. Até o momento em que você relembra, varias coisinhas já se alteraram. Então claro que eu não quero uma memória-gravador, passiva e sem nenhum colorido subjetivo. O que eu quero é eliminar ao máximo os bloqueios, os momentos que se obscurecem e ficam foram do meu alcance consciente, aquela lembrança que é apenas uma coceira, mas que eu não consigo descobrir a causa.
Só que a coisa pode ainda ser mais assutadora do que uma simples falha nas conexões neuronais. As vezes a memória falha não por ser fraca, mas porque aquilo que você experienciou está além da percepção cotidiana. Principalmente se for algo que não possa ser colocado em palavras.
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Padrao Mental
Saturday, 15 August 2009
INTEGRIDADE

Coisas que são consideradas como sacrifícios pelo homem comum devem vir como uma segunda natureza, ou melhor, como a natureza do homem sábio. Claro que como, inicialmente, somos todos comuns, tudo começa com um sacrifício, o nosso próprio. Depois de um tempo, no entanto, as coisas se tornam tão naturais quanto respirar. Para quem vê de fora, parece que nos privamos, para quem vê por dentro, não há nada para se privar, tudo flue.
Eu sonho com o dia em que obterei essa integridade.
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